Artigos sobre ‘Redação’

Quando produzimos conteúdo para blogs, informativos, revistas e outras mídias percebidas como entretenimento, não devemos insistir em assuntos corporativos e nem ficar ostensivamente tentando vender o peixe da empresa. O objetivo é estabelecer e desenvolver relacionamento, engajamento e percepção de valor em torno da marca.
Mas quando se trata de criar conteúdo para sites de empresas, folders e vídeos institucionais, e-mail marketing e outros formatos reconhecidamente com caráter mais comercial, é preciso sustentar todo o texto em argumentos persuasivos, com o objetivo final de convencer o leitor de que a marca em questão é a melhor opção, ou seja, converter o consumidor de informação em cliente da empresa.
Para isso, além das tradicionais técnicas de redação publicitária – como o modelo apolíneo (baseado no discurso deliberativo de Aristóteles), o modelo dionísico (com apelos mais emocionais), o poder dos testemunhais (principalmente em tempos de mídias sociais) e a utilização criativa das figuras de linguagem -, existem outras recomendações interessantes e atemporais que podemos levar em conta. Vamos conhecê-las?
Repita, papagaio
Em Psicologia, pode ser chamado de método mnemônico, frequentemente utilizado para memorizar voluntariamente, pode também ser crucial para fixar nossas mensagens. Vemos alguns logotipos com tanta frequência que eles se tornam familiares. Ouvimos tanto alguns slogans que acabamos repetindo em nosso cotidiano. E também ouvimos tanto falar que marca X é a melhor que acreditamos naquilo (é o posicionamento da marca).
Mas existem as repetições que causam efeito contrário, como as propagandas das Casas Bahia, que em muitas pessoas causa aversão à marca (mas até funcionam com alguns nichos, senão eles já teriam abandonado essa estratégia), ou com aquelas empresas que ligam toda semana oferecendo assinatura de jornal, ou aquele cara chato que parece estar se promovendo o tempo inteiro.
Para evitar cair nessa armadilha, é essencial ter muito bom senso e variar na forma como você repete as coisas: diretamente, por meio de uma história, uma citação, uma imagem, vídeo, etc.
Dê motivos
Nada faz sentido sem explicação, sem uma razão, sem um porquê. As pessoas dificilmente fazem algo sem saber o motivo e não gostam de receber ordens. Por isso, é muito importante explicar para o seu público por que ele deve comprar seu produto ou escolher o seu serviço.
Explore o problema
Pode parecer sadismo, mas é um método bastante eficaz. Primeiro, você explora os problemas e se aproxima do público lembrando e potencializando seus problemas. O sujeito pode até se sentir mal, mas em seguida você mostra pra ele que a solução é o seu produto ou serviço.
Um bom exemplo é o famoso approach da Polishop (que parece uma sátira, de tão exagerada): primeiro, eles realçam os problemas que nós temos e, na sequência, já apresentam a solução. Lógico que a intensidade da Polishop não é apropriada para a maior parte dos casos, mas a estratégia pode gerar muita empatia (transmite a mensagem “nós sentimos a sua dor e queremos acabar com ela”) se aplicada com bom senso e também explica os motivos da compra.
Responda às objeções
Após ler o seu texto, se o leitor pensar “tudo bem, mas e…”, o negócio estará perdido. Por isso, em alguns casos podemos utilizar textos mais compridos do que o habitual para responder às possíveis objeções. O texto todo pode não ser lido, mas é importante que ele prenda a atenção e responda o suficiente para que o sujeito leia até ser convencido.
Quando você tiver boas noções de quais podem ser os questionamentos sobre o seu produto ou serviço, está aí uma boa oportunidade de defender antes mesmo de ser questionado. Esse conteúdo produzido pode até não ficar na página inicial do site ou na parte principal do material impresso, mas pelo menos em forma de FAQ (perguntas frequentes), vale a pena tê-lo.
Outras recomendações seriam:
- Conte histórias para ajudar as pessoas a tomarem suas decisões, ou seja, sutilmente persuadi-las;
- Tenha consistência para demonstrar integridade e transmitir segurança;
- Faça uma boa segmentação e tenha em mente o linguajar e interesses do seu público;
- Comparações e metáforas geram inúmeras possibilidades e permitem contextualizar de acordo com a realidade do público;
- Explore o suspense causado por teasers (prognósticos) para gerar buzz e expectativas.
Tem outras dicas? Deixe um comentário!
Olá! Estou postando pouco por aqui, na minha própria casa, mas web afora tenho contribuído com a geração de conteúdo. Que tal conferir um pouco do que tenho compartilhado? Confira abaixo:
No @iMasters:
No @CampanhaDigital:
- Tumblr – para que serve e como utilizá-lo com eficácia
- Para que serve SEO,Search Engine Optimization?
- Conheça todas as empresas compradas pelo Google nos últimos 10 anos
- Mídias sociais além da geolocalização: agora a vez é dos viajantes
- Agressões às marcas no Twitter:o que fazer para minimizar os danos?
- China copia Foursquareno embalo da geolocalização
- Geração Y ou Geração Facebook? [infográfico]
- A (quase) resumida história das mídias sociais
- As mídias sociais valem o investimento?
- Qual a melhor formação para trabalhar com mídias sociais?
- Desvendando os Aplicativos SociaisSocial APPs (apresentação de slides)
- Os avanços da inclusão digital no Brasil
- As Mídias Sociais estão renovando a Educação
Leia, compartilhe, acrescente, critique… fique à vontade, o conteúdo é nosso!
Não tenho assistido muito à televisão, confesso. Mas tanto na TV aberta como na paga, a publicidade não tem exibido muita criatividade. Vemos muitas repetições de fórmulas comuns, clichês super ultrapassados ou então, quando tentam inovar, as criações acabam saindo meio sem sentido, meio sem graça, meio sem eficácia.
Entretanto, hoje vi um anúncio que me cativou, que conseguiu resgatar um pouco dos tempos áureos da publicidade brasileira (lembra da DPZ e W/Brasil?). É o anúncio da ZAP Imóveis, site de anúncios do Grupo Estado. Do ponto de vista da redação publicitária, ele abusa das (queridas dos publicitários) figuras de linguagem: a metáfora, na “casa” do pássaro sendo comparada às nossas casas; e a prosopopeia, por utilizar animais irracionais como protagonistas racionais.
Apesar da utilização das figuras de linguagem ser comum na publicidade, elas foram muito bem empregadas, com um texto e uma produção criativos, marcantes e simpáticos. Confira:
Ficha Técnica:
FILME
Título: João
Cliente: Zap SA Internet
Produto: Imóveis
Agência: NBS
Diretor de Criação: Pedro Feyer e André Lima
Criação: Cássio Faraco e Giuliano Cesar
Atendimento: Alexandre Grynberg, Ana Coutinho e Beatriz Molinari
Planejamento: Gisela Toledo, Rodrigo Néia e Vitor Amos
RTV: Bia Traldi
Aprovação Cliente: André Molinari, Eduardo Schaeffer e Glaucia Tacaoca
Produtora: Sentimental Filmes
Direção: Camila Faus
Direção de Fotografia: Ted Abel
Atendimento Produtora: Wander Damiani
Montagem / Edição: Rami Aguiar
Produtora de Áudio: Panela
Este anúncio provavelmente é do tipo “tapa-buraco”, quando temos uma página sobrando para fechar a revista. Seja por falta de matéria, seja por saída imprevista de um anunciante. De qualquer forma, o que me chamou a atenção foi a pobreza do texto. Quem fez este anúncio? Teria sido o núcleo jovem da editora? A agência Salve?
.
Sejá lá quem criou esta peça, a mente criativa provavelmente não é de um redator publicitário. Qualquer redator que não tenha comprado seu diploma de publicitário sabe que não se deve utilizar a palavra “não” na assinatura, a frase imperativa, o call to action, a frase em que dizemos diretamente ao consumidor o que ele deve fazer.
.
.
Algumas teorias afirmam que o cérebro tem dificuldade em entender o “não”. Imagine se alguém fala para você “não pense na cor azul!”, você já pensou. Ou, entre alpinistas: “não olhe pra baixo!”, já viu essa cena? Da mesma forma que não podemos criar títulos interrogativos com resposta “sim” e “não”, do tipo “você não adoraria passar suas férias nesta linda praia?” – o target pode pensar “não.” e ignorar o anúncio.
.
Sendo assim, “Não deixe de ler” pode ser interpretado por nosso subconsciente como “Deixe de ler”. E o pior é que muitos estão viciados em frases como “não perca”, “não se esqueça”, “não sai de casa sem ele”, entre tantas outras.
.
“Normalmente, a negação surge para o leitor como um problema enquanto a afirmação surge como solução. É mais persuasivo dizer ao leitor o que ele deve fazer do que não deve fazer. Além do mais, uma frase negativa obrigatoriamente exalta o que ela mesma nega.” (fonte)
.
“…o poder de um título está em seu fechamento, isto é, um bom título é aquele que, por suas características, não pode ser contestado. Ora, se criarmos um título interrogativo, na verdade, estamos pedindo para sermos questionados.” (FIGUEIREDO, Celso. “Redação Publicitária – Sedução pela palavra”, p.20)
O imediatismo da internet têm nos tornado mais impacientes. Queremos que a página abra logo, que o vídeo carregue, que o download termine, que as atualizações aconteçam… sempre, o mais rápido possível.
.
Esta tendência de comportamento, que pode ser classificada como “impaciência”, mesmo sendo um traço normalmente negativo, foi tomado como conceito principal para a criação de uma campanha na Índia. Lógico que o anunciante está ligado à web: é a Airtel Broadband, fornecedora de internet por lá.
.
O texto da campanha é super persuasivo e tenta criar identificação com seu target. Só que é como se eles tivessem um problema e passassem a gostar do problema, a aceitar e orgulhar-se do problema. É a união dos impacientes digitais. Dessa forma, a campanha cria uma espécie de sentimento de grupo social, no qual ou você se enquadra e se orgulha, ou você está fora. Essa postura conseguiu gerar engajamento e já existe o espírito de comunidade dos impacientes no Facebook, Flickr, YouTube e sabe-se lá onde mais.
.
Confira o vídeo e, embaixo dele, a tradução do texto:
.
.
Eles dizem que somos impacientes. Estão certos.
Você não seria? Quando se tem 1 milhão de amigos para conhecer?
.
Eles dizem que estamos sempre com pressa. Nós estamos. Porque não podemos esperar a roda girar. Não podemos esperar que um VJ nos diga que música devemos gostar, não podemos esperar nossa vez chegar, o relógio tiquetaquear, o Sol nascer, o tempo chegar…
.
Eles dizem que somos impacientes?
Impaciência é a nova vida.
.
Viva-a com Airtel Broadband.
.
Estranho, hein?
Muita gente gostou, mas tem muita gente dizendo que a tal Airtel joga baixo no mercado por lá, e que além disso, os pacotes de conexão oferecidos não são coerentes: há um limite de download de 20GB, quantidade que aparentemente acabaria em poucas horas de uso contínuo para download com a velocidade oferecida. Isso pode ser um grave problema da campanha para o pós-venda, pois usuários desatentos que contratarem o serviço poderão notar esse limite depois, gerando uma insatisfação custosa. Imagine milhares de usuários falando sobre isso na internet, dois meses depois desta campanha: adeus credibilidade da marca.
.
Clique aqui e conheça o site oficial da campanha.





