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spam como você nunca viu - anúncio propaganda

Você certamente já viu vários anúncios durante a sua vida, propaganda comum. E também já se irritou com Spam, as mensagens indesejadas, que chegam sem pedir licença. O que talvez você não tenha visto ainda é uma propaganda DE spam!

A Origem do Termo Spam

Sim, o termo Spam usado nos dias de hoje surgiu como nome de um produto. Era uma carne enlatada, que em seu próprio rótulo era descrito como miúdos de animais (spare parts animal meat). Dizem que o produto era rosado, com uma substância gelatinosa nojenta sobre ela. Spam era um dos poucos alimentos fartos durante a 2.ª Guerra Mundial e as pessoas estavam enjoadas dele. Humoristas do grupo Monty Python satirizaram o produto num quadro em que uma garçonete insiste em empurrar Spam sobre os clientes, que tentam pedir outras coisas, mas ela continua repetindo “Spam, Spam, Spam”.

O Anúncio de Spam

Veiculado no Ladies Home Journal em 1945, para vender Spam o anúncio defende que é festivo e divertido fazer uma torta de ponta-cabeça com Spam (spam upside down pie). A dica de preparo sugere que se forme um gorduroso anel com fatias de Spam, bolachas sortidas, mais Spam e o centro preenchido com patê de queijo.

Spam - da lata para o PC

Há alguns anos o software Corel Draw vem sendo discriminado por usuários de seu principal concorrente, o Adobe Illustrator. O “Corel”, como é conhecido entre os designers e diretores de arte, tem fama de ser um programa de sobrinhos, de amadores, de estagiários de gráfica fundo-de-quintal.

Apesar dessa má fama, ele ainda é um software muito competente, com diversos aspectos interessantes. O ponto mais criticado, sua estabilidade, tem melhorado com suas últimas versões. Há três meses foi lançada a décima quinta versão do software, chamada Corel Draw x5, com diversas funcionalidades novas e relevantes.

Quando eu pensei que eles caminhavam num rumo bacana… eis que me deparo com um anúncio, na revista INFO exame de maio (ed. Abril). Fiquei chocado com a barbárie! Destruíram toda a credibilidade que tinham. O uso dos quadrinhos é super legal, acho válida a ideia. Agora, a ambientação numa barraquinha de camisetas, o super-herói desastrado (ridículo!), o vendedor de franja esquisita e o texto que dá a entender que qualquer um, “que comece do zero”, conseguirá bons resultados… tudo isso fez deste anúncio uma bomba. Resta saber o que se passou na mente de quem criou e, pior ainda, de quem aprovou este anúncio.

Confira, clicando na imagem para aumentá-la:

anuncio corel draw x5 - revista info

Para aliviar o tom de críticas, quem ainda não entrou em contato (ou não reparou) na utilização inteligente das embalagens de açúcar União, os sachês, pode conferir na imagem abaixo. A inovação está em utilizar a embalagem como condutora de mensagens motivacionais, que vinculam a marca ao estímulo das mensagens. Se pensarmos que a maior parte das pessoas pegará um sachê desses quando estiver tranquilamente querendo adoçar seu café… foi coerente e inteligente. As mensagens são piegas, mas cumprem seu papel. Clique na imagem para aumentá-la:

acucar uniao saches com mensagens

Este anúncio provavelmente é do tipo “tapa-buraco”, quando temos uma página sobrando para fechar a revista. Seja por falta de matéria, seja por saída imprevista de um anunciante. De qualquer forma, o que me chamou a atenção foi a pobreza do texto. Quem fez este anúncio? Teria sido o núcleo jovem da editora? A agência Salve?
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Sejá lá quem criou esta peça, a mente criativa provavelmente não é de um redator publicitário. Qualquer redator que não tenha comprado seu diploma de publicitário sabe que não se deve utilizar a palavra “não” na assinatura, a frase imperativa, o call to action, a frase em que dizemos diretamente ao consumidor o que ele deve fazer.
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Não deixe de ler! Não o quê? Deixo o quê?

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Algumas teorias afirmam que o cérebro tem dificuldade em entender o “não”. Imagine se alguém fala para você “não pense na cor azul!”, você já pensou. Ou, entre alpinistas: “não olhe pra baixo!”, já viu essa cena? Da mesma forma que não podemos criar títulos interrogativos com resposta “sim” e “não”, do tipo “você não adoraria passar suas férias nesta linda praia?” – o target pode pensar “não.” e ignorar o anúncio.
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Sendo assim, “Não deixe de ler” pode ser interpretado por nosso subconsciente como “Deixe de ler”. E o pior é que muitos estão viciados em frases como “não perca”, “não se esqueça”, “não sai de casa sem ele”, entre tantas outras.
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“Normalmente, a negação surge para o leitor como um problema enquanto a afirmação surge como solução. É mais persuasivo dizer ao leitor o que ele deve fazer do que não deve fazer. Além do mais, uma frase negativa obrigatoriamente exalta o que ela mesma nega.” (fonte)
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“…o poder de um título está em seu fechamento, isto é, um bom título é aquele que, por suas características, não pode ser contestado. Ora, se criarmos um título interrogativo, na verdade, estamos pedindo para sermos questionados.” (FIGUEIREDO, Celso. “Redação Publicitária – Sedução pela palavra”, p.20)

O imediatismo da internet têm nos tornado mais impacientes. Queremos que a página abra logo, que o vídeo carregue, que o download termine, que as atualizações aconteçam… sempre, o mais rápido possível.
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Esta tendência de comportamento, que pode ser classificada como “impaciência”, mesmo sendo um traço normalmente negativo, foi tomado como conceito principal para a criação de uma campanha na Índia. Lógico que o anunciante está ligado à web: é a Airtel Broadband, fornecedora de internet por lá.
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O texto da campanha é super persuasivo e tenta criar identificação com seu target. Só que é como se eles tivessem um problema e passassem a gostar do problema, a aceitar e orgulhar-se do problema. É a união dos impacientes digitais. Dessa forma, a campanha cria uma espécie de sentimento de grupo social, no qual ou você se enquadra e se orgulha, ou você está fora. Essa postura conseguiu gerar engajamento e já existe o espírito de comunidade dos impacientes no Facebook, Flickr, YouTube e sabe-se lá onde mais.
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Confira o vídeo e, embaixo dele, a tradução do texto:
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Eles dizem que somos impacientes. Estão certos.
Você não seria? Quando se tem 1 milhão de amigos para conhecer?

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Eles dizem que estamos sempre com pressa. Nós estamos. Porque não podemos esperar a roda girar. Não podemos esperar que um VJ nos diga que música devemos gostar, não podemos esperar nossa vez chegar, o relógio tiquetaquear, o Sol nascer, o tempo chegar…
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Eles dizem que somos impacientes?
Impaciência é a nova vida.

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Viva-a com Airtel Broadband.

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Estranho, hein?

Muita gente gostou, mas tem muita gente dizendo que a tal Airtel joga baixo no mercado por lá, e que além disso, os pacotes de conexão oferecidos não são coerentes: há um limite de download de 20GB, quantidade que aparentemente acabaria em poucas horas de uso contínuo para download com a velocidade oferecida. Isso pode ser um grave problema da campanha para o pós-venda, pois usuários desatentos que contratarem o serviço poderão notar esse limite depois, gerando uma insatisfação custosa. Imagine milhares de usuários falando sobre isso na internet, dois meses depois desta campanha: adeus credibilidade da marca.
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Clique aqui e conheça o site oficial da campanha.

A Veja desta semana saiu com um anúncio do Ministério do Esporte, que aborda a Lei de Incentivo ao Esporte. No texto, nada de mais. Mas a produção está muito estranha! O modelo, que provavelmente representa os empresários capazes de fazer doações, está totalmente descabelado. E o pior: um fotógrafo profissional dificilmente deixa sombras duras no rosto de modelos. Pois este possui uma sombra abaixo do nariz, lembrando um bigodinho, do tipo imortalizado por Adolph Hitler / Monteiro Lobato (ambos defensores da Eugenia).

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Para agravar o clima de bigode-subliminar-da-eugenia, o modelo ainda está com um atleta negro em sua mão. O que, dentro de um contexto paranoico, poderia significar a supremacia de uma raça sobre a outra.

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Eugenia?

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A minha opinião é de que o modelo descabelado está descabelado porque o maquiador curte tendências moderninhas, típicas dos indies e tal. O bigode-sombra foi um #fail do fotógrafo mesmo. O branco com o negro em sua mão representa apenas os estereótipos das etnias: percentualmente há mais empresários brancos e mais atletas negros. Mas daria uma boa teoria de conspiração racial, não? :)

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EUGENIA: estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. Veja mais: Eugenia na Wikipédia.

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