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hora do planeta: hipocrisia ou vale a pena?

Há dois meses, o mundo apagou as luzes. Foi o evento anual chamado de Hora do Planeta, uma iniciativa da ONG WWF (aquela, do Panda) apoiada por bancos, conglomerados de mídia, governantes e por diversas outras marcas.

Seu objetivo é fomentar a discussão sobre o aquecimento global e sobre a necessidade de termos mais consciência ecológica. Segundo o site oficial, “em 2010, mais de um bilhão de pessoas em 4616 cidades, em 128 países, apagaram as luzes durante a Hora do Planeta”.

Na prática, este ato simbólico seria hipocrisia ou capaz de gerar resultados concretos?

 

Greenwashing – a mentira verde

Há alguns anos, é utilizado o termo greenwashing para denominar “ações verdes” incoerentes com a postura da empresa. Seria o caso, por exemplo, da empresa que costuma despejar resíduos tóxicos em rios que, para ganhar pontos com o público exigente, resolve plantar uma árvore na praça da cidade e aproveita para fazer um grande alarde sobre o fato.

E tem muita gente que também adora discursar sobre como devemos agir, como a situação é alarmante, mas vez ou outra podemos flagrá-la jogando lixo na rua, desperdiçando água ao lavar suas calçadas ou mesmo abandonando a bicicleta, aumentando sua pegada de carbono.

 

Simbologia e rituais

Olhamos em volta e pensamos: como a humanidade está evoluída, com tanta tecnologia e conhecimento! Como diz a querida Martha Gabriel, nos tornamos seres híbridos, tendo como extensão de nossos corpos e mentes aparelhos eletrônicos como o smartphone, o tablet, o notebook e companhia.

No entanto, conservamos várias características de nossos ancestrais, desde a fortíssima influência dos instintos (de sobrevivência, sexual, entre outros) sobre nossas ações (motivo de brigas, traições matrimoniais, etc.) até a crença e necessidade de elementos simbólicos e rituais em nossas vidas, por diversos motivos. E não me refiro apenas aos religiosos: temos baile de debutante, trote de faculdade, processo de integração e happy hour de empresas, premiação, parada militar, colação de grau, entre muitos outros ritos cheios de simbologia, que servem para ajudar nossas mentes a compreender alguma circunstância ou mudança.

Elementos simbólicos estão presentes em muitos aspectos da nossa vida. Em pequenos gestos ou palavras que dizemos, em celebrações, em nossas roupas, em adesivos colados no carro, em pingentes e anéis, nos produtos que consumimos e marcas que escolhemos, etc.

 

Hora do Planeta: simbolismo ecológico

Sim, muitas marcas e políticos podem “aderir” ao evento simplesmente porque é algo simpático, porque algumas pessoas poderão enxergar como uma atitude nobre — mesmo que nos outros 364 dias do ano eles desperdicem energia elétrica, deixando a luz acesa e o monitor ligado durante o horário do almoço e reuniões, por exemplo. Grande parte dos adeptos da Hora do Planeta, infelizmente, é composta por greenwashers.

Mas é inegável o poder de influência de um ato simbólico como este, ainda mais quando milhões de pessoas participam ou pelo menos escutam a seu respeito. A Hora do Planeta pode não mudar o comportamento de muitos, mas ele induz à reflexão, ele planta uma sementinha de consciência ambiental no subconsciente das pessoas. Por isso, considero uma iniciativa positiva, mesmo com toda a hipocrisia dos “adeptos”

A Hora do Planeta é um bom exemplo do poder do engajamento das pessoas, de como a união e colaboração podem disseminar e engajar milhões, atingindo resultados reais.

Vamos apagar as luzes?

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Uma quitanda, ou melhor, mercado de vegetais do Espírito Santo, aprovou uma campanha super ousada, despojada e criativa. Trata-se de sátiras vegetais com nomes de grandes sucessos de Hollywood, como “Melão Rouge” e “Pimentão Valente”.

Pode ser considerada uma campanha que acompanha as recentes tendências de sustentabilidade, pois a campanha é toda verde. Tá, a piada foi ruim, mas a campanha, feita pela agência MP Publicidade foi bem legal.

Intitulada “Aqui a natureza é a estrela”, esta campanha não é novidade para alguns, mas para quem ainda não viu, vale a pena conferir!

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Com a sustentabilidade (ainda) em alta, o marketing verde traz não apenas consequências positivas, mas também novas formas de manipular informação em favor próprio. Este é o caso do greenwashing, que muita gente ainda nem ouviu falar, mas que já causa polêmica no mundo corporativo.
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Greenwashing por Robert Carter
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Juro que, por dedução lógica instantânea, pensei se tratar de lavagem de dinheiro. Mas é bem diferente: é um neologismo que resume algumas antigas práticas de desinformação disseminada por uma organização, ou seja, manipulação de alguma informação de forma a favorecer a imagem da empresa – geralmente com relação ao meio ambiente.
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“Greenwash não inclui apenas informações enganosas, mas principalmente o ato malicioso de aumentar a importância de fatos irrelevantes e disfarçar uma fraca atuação ambiental [...] vem sendo usado por ambientalistas para nomear práticas de ‘responsabilidade ambiental’, promovidas por empresas, que não passam de ações de marketing não vinculadas à estratégia do negócio. [...] Em um mundo em que a ‘Economia Verde’ e as boas práticas de sustentabilidade ganham importância na decisão dos consumidores, e em que boa parte dos ativos das empresas é intangível, parecer ‘verde’ é cada vez mais importante”¹
(Fábio Bazanelli)

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Encontrei um case ótimo descrito neste blog, entretanto o autor parece confundir greenwashing com marketing verde. Marketing verde é aproveitar-se e investir nas ações que podem gerar imagem positiva para a empresa por sua atuação real em favor do meio ambiente. Greenwashing já é algo como dar uma árvore, cortar dez e divulgar que ajuda o meio ambiente porque plantou uma (omitindo o corte das dez). Confira o exemplo:
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“a Ford lançou a SUV Hybrid em 2004, que usava o combustível de forma mais “verde” – mas “esqueceu” de avisar aos consumidores na propaganda que só produziria 20,000 unidades por ano, quando sua produção da nada ecológica linha das F-1000 e afins era de mais de 80,000 por ano. Ou seja, o “carro verde” da Ford era apenas uma parte da história publicitária, a parte que lhe convém mostrar e que joga para debaixo do tapete todo o péssimo posicionamento em emissão de carbono que seus carros possuem. A Ford produziu na verdade uma ação marketeira de greenwashing, pura e simples”
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Podemos até classificar como greenwashing, mas é preciso ter em mente que não há a mesma demanda para haver produção equivalente. Carros com fontes de energia alternativas, como os elétricos, engatinham há muito tempo, com carros-conceito que só recentemente começaram a ser fabricados. Ainda é cedo pra determinar sua aceitação, o crescimento da demanda e declará-lo um substituto dos irmãos emissores de CO².
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Fonte:
¹ BAZANELLI, Fábio. Revista RI, n.º 128. Rio de Janeiro: IMF editora. Dezembro de 2008.

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