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Durante a Campus Party 2011, Ana Brambilla, editora do portal Terra e Pedro Doria, editor do Estadão.com, comentaram sobre a importância do furo de reportagem no jornalismo feito pela internet.
Checagem defasada
Pedro Doria disse que o Estadão tem quebrado paradigmas ao tuitar links dos furos de seus concorrentes e contou que, até um tempo atrás, eles seguravam os maiores furos para a versão impressa do jornal, mas hoje já não agem assim – os furos vão direto para o site e, depois, pro jornal impresso. Ana Brambilla ressaltou que o imediatismo é um fetiche forte no jornalismo brasileiro, mas que a checagem das informações é essencial para assegurar a credibilidade do veículo de comunicação.
A checagem, citação de fontes e referências, por sinal, é algo que tem sofrido uma grande escassez na blogosfera tupiniquim. Muito se deve ao fato de escrevermos em forma de depoimento profissional, mas por mais que o formato seja flexível e menos cartesiano, perdemos uma boa chance de ratificar a informação, reforçando-a com ideias de outros profissionais conceituados ou trechos de livros.
Revisão vs. imediatismo
No jornalismo online, além da credibilidade da informação não confirmada, não checada, a revisão é outro ponto crucial para que o conteúdo noticioso não perca seu valor. A correção e a clareza da linguagem podem ser decisivas durante a leitura de uma notícia e, principalmente, em assegurar que o leitor volte ao site para ler outros materiais. Quem se depara com erros julga todo o seu conteúdo com base naquele trecho equivocado e nunca mais volta “àquele site malfeito e antiprofissional”.
Com a pressa onipresente de nossas vidas, pode não sobrar tempo para revisar o conteúdo produzido. Às vezes, a equipe é pequena e precisa gerar mais conteúdo noticioso; outras vezes, não tem um revisor exclusivamente dedicado à função. A rotina do jornalista web é muito pior do que a do jornalista oldschool. Aí, por falta de tempo e esmero, acabam publicando algumas besteiras que podem comprometer toda a marca.
Por exemplo…
Peguei, para analisarmos e para ilustrar como a revisão pode fazer a diferença, uma notícia do portal R7, por ser um grande portal de notícias, mas que ainda não possui tradição na internet. O título é “Ditador culpa diabo ‘estrangeiro’ e se nega a renunciar na Líbia” e o link é este. Para prevenir que o texto base fosse alterado, tirei também “um print” da notícia (e grifei, em vermelho, as partes comentadas abaixo). Vamos ao que encontrei:
O ditador deixou também um aviso ameaçador para aqueles que “desafiarem a ordem” e colaborarem com “os estrangeiros”, ameaçando executá-los.(sic)
Não é um erro, mas um bom revisor evitaria utilizar “deixou também um aviso ameaçador” e, fechando a frase, “ameaçando executá-los”. Repetir desta forma empobrece o texto.
A Líbia e África não vai desistir de sua glória. Nós derrotamos superpotências [Estados Unidos e Reino Unido] e vamos continuar aqui, desafiador. (sic)
Um erro simples de concordância verbal. O correto seria “A Líbia e África não vão desistir”. Repare também que, no final da frase, há um “desafiador” solto, perdido, sem coesão.
…e faz uma perigosa promessa à cidade, prometendo usar a violência na repressão. (sic)
Novamente, o texto sofre com a repetição de um termo na mesma frase. Prometa não utilizar novamente a palavra, Sr. jornalista!
Armas serão estregues agora para as autoridades. (sic)
Estregar, segundo o Michaelis, significa “1 Transferir para um papel ou tábua com boneca embebida em pó de carvão (um desenho picado). 2 Esfregar. 3 Almofaçar”. Como sugeriria o Google: você quis dizer entregar.
Nós deixamos o poder para o povo da líbia desde 1970 [...] (sic)
Tá certo que o país não é muito grande, mas seu nome ainda precisa começar com letra maiúscula.
Para Seif, o número de mortos é exagerado e a Líbia está à beira da guerra civil. Para o filho do ditador, a violência é resultado de um “complô estrangeiro”. (sic)
Pare de repetir as palavras, meu amigo! Duas sentenças, consecutivas, começando de forma similar em mais um caso de fraqueza no texto.
Jornais e TVs relataram que pessoas em helicópteros atiravam em todo mundo na capital do país, Trípoli. (sic)
Minha última observação é conceitual, mas se eu fosse o revisor, não teria deixado desse jeito: as pessoas nos helicópteros atiravam em todo mundo na cidade? Que informação vaga! Atiravam em transeuntes, protestantes, nas pessoas em algum lugar… “Em todo mundo” é um pouco absurdo. Parece apenas que o jornalista queria terminar logo de escrever a notícia e teve preguiça de pensar melhor sobre quem foi alvo dos helicópteros.
Faça o teste
Analisei e revisei tanto o estilo como a ortografia e gramática do texto. Vale lembrar que é possível realizar a revisão de um texto sem necessariamente questionar a adequação, conceitos e realizar um upgrade nele, o que chamamos de preparação – ou arrumação. Mas, claro, os dois juntos é o que sempre recomendo.
Agora é a sua vez: escolha algum portal de notícia, comece a ler e reparar nos absurdos que existem por aí, nas bolas foras que os jornalistas web têm dado, por causa da pressa e da falta de revisão.
E você, o que pensa sobre esse dilema? Vale a pena publicar um furo sem revisá-lo, para garantir que você será o primeiro a publicar o fato? Vale a pena gerar um pouco menos de conteúdo, mas com melhor qualidade? Deixe sua opinião!
Os grandes portais mudam bastante. Você se lembra como era a cara da Globo.com há 5 anos? E do portal Abril? O Terra, o UOL e o Submarino mudaram bastante ano passado. Pois é, se você tem curiosidade de ver como eram no passado, ou mesmo lembrar caso tenha conhecido, existe um serviço fantástico: o WayBackMachine.
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Pra quem tem interesse, dá pra passar horas vendo as antigas “caras” dos mais famosos sites da internet. Lógico que você não vai encontrar versões do seu blog quando era adolescente, nem da página da escolinha da sua irmã. Mas os sites graúdos, que estão no top 100 de cada país, você encontra.
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Veja alguns exemplos divertidos abaixo:
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